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Noturnos São Paulo – Fotolivros latino-americanos

“Noturnos São Paulo, de Cássio Vasconcellos, é outra visão fotográfica de uma cidade, aqui prescindindo de seus habitantes, dos quais só restam marcas e resíduos nas imagens. Todas as fotografias foram feitas durante a noite, embora paradoxalmente estejam saturadas de cores, no lugar dos típicos pretos profundos associados ao fotolivro clássico de noturnos urbanos, como Paris de Nuit (1933), de Brassaï. Vasconcellos começou a série em 1998, nos arredores da marginal do rio Pinheiros, utilizando uma antiquada câmera Polaroid SX-70 em suas caminhadas noturnas. As razões dessa escolha são explicadas na introdução de Noturnos São Paulo, pelo próprio autor: “Meu trabalho é basicamente em preto e branco. Cor somente em polaroide, que confere às fotos um resultado peculiar em resolução e textura, justamente o que me fascina”. O processo continuava com o escaneamento das polaroides e sua reprodução em papel por meio de impressoras a jato de tinta.

Como a intensidade e a variedade de uma gama cromática dependem da iluminação, Vasconcellos trabalhou as luzes com rigor. Os detalhes arquitetônicos de indústrias ou residências estão impregnados das tonalidades alaranjadas, esverdeadas, azuladas ou amareladas dos semáforos, das luzes de neon, dos faróis dos automóveis e das lâmpadas, lanternas e refletores coloridos que o fotógrafo usava. O resultado é uma excursão urbana muito mais visual que documental, uma cidade irreconhecível, “uma São Paulo que não existe”, como escreveu Nelson Brissac.

Vasconcellos conseguiu efeitos que não deixam de ser cenográficos, mas sem que houvesse qualquer roteiro, uma trama que se desenrola na cena, como no cinema, linguagem à qual Noturnos São Paulo remete, mais do que a história da fotografia. A ausência de ação enche essas fotos de silêncio e mistério, que nenhum título revela.”